Quais países não precisam de visto de intercâmbio para brasileiros?

Existem países em que brasileiras e brasileiros podem fazer um curso de curta duração sem solicitar previamente um visto de estudante. Isso não significa, porém, que seja possível simplesmente comprar uma passagem e embarcar.

Dependendo do destino, ainda pode ser necessário:

  • solicitar uma autorização eletrônica de viagem;
  • obter um visto de visitante;
  • apresentar a matrícula e os documentos do intercâmbio na imigração;
  • comprovar acomodação, recursos financeiros e passagem de saída;
  • contratar seguro-viagem;
  • respeitar limites específicos de duração e carga horária.

Por isso, a pergunta mais correta não é apenas “quais países não precisam de visto?”, mas:

em quais países uma pessoa com passaporte brasileiro pode estudar por um período curto sem solicitar um visto de estudante?

Resposta rápida

Brasileiras e brasileiros podem fazer determinados cursos de curta duração sem visto de estudante em destinos como Reino Unido, Irlanda, Malta, França, Itália, Espanha, Alemanha, Suíça, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

No entanto, as regras não são iguais:

Destino Curso sem visto de estudante O que ainda é necessário
Reino Unido Até 6 meses ETA antes do embarque
Irlanda Até 90 dias Autorização de entrada concedida na imigração
Países do Espaço Schengen Até 90 dias dentro de 180 dias Cumprir as condições de entrada; ETIAS quando entrar em operação
Canadá Curso de até 6 meses Visto de visitante ou eTA, conforme a elegibilidade
Austrália Até 3 meses Visitor Visa adequado
Nova Zelândia Até 3 meses NZeTA e autorização de visitante
Estados Unidos Não para curso regular de inglês Normalmente, visto de estudante F-1
China Até 30 dias Verificação conforme o propósito e o curso
Tailândia Depende do programa e da condição de entrada TDAC e eventual visto apropriado

As regras podem variar conforme nacionalidade, duração, escola, carga horária e finalidade real da viagem.

Reino Unido: curso de até seis meses sem visto de estudante

Brasileiras e brasileiros podem estudar no Reino Unido como visitantes por até seis meses. Essa regra vale para Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, pois todos fazem parte do mesmo sistema migratório.

Para embarcar, entretanto, é necessário solicitar uma ETA — Electronic Travel Authorisation.

A ETA não é um visto de estudante. É uma autorização eletrônica que permite viajar ao Reino Unido para finalidades admitidas na categoria de visitante, incluindo determinados cursos de até seis meses.

Para cursos de inglês com duração superior a seis e de até 11 meses, existe o Short-term Study Visa. Cursos mais longos normalmente exigem um Student Visa.

Fontes oficiais: estudar no Reino Unido como visitante, ETA britânica e Short-term Study Visa.

Irlanda: curso de até 90 dias sem visto prévio

Pessoas com passaporte brasileiro não precisam solicitar previamente um visto irlandês para fazer um curso de até 90 dias.

Isso não representa entrada automática. A autorização final é concedida pelo agente de imigração na chegada, após a análise da viagem e dos documentos apresentados.

É recomendável levar na bagagem de mão:

  • carta de matrícula;
  • comprovante da acomodação;
  • passagem de saída;
  • seguro-viagem;
  • comprovação financeira;
  • documentos fornecidos pela escola e pela agência.

Para cursos com mais de 90 dias, aplicam-se outras regras. Nos programas de estudo de inglês de longa duração, a pessoa deverá cumprir as exigências do programa, receber a permissão migratória correspondente e realizar o registro na Irlanda.

A Irlanda não faz parte do Espaço Schengen. Portanto, os dias passados no país não entram na contagem dos 90 dias do Schengen.

Fontes oficiais: nacionalidades que precisam ou não de visto e estudo de curta duração na Irlanda.

Malta, França, Itália, Espanha, Alemanha e Suíça: regra do Espaço Schengen

Brasileiras e brasileiros podem fazer determinados cursos de curta duração nesses destinos sem solicitar um visto de estudante, desde que a permanência não ultrapasse 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias.

Essa contagem é feita para o Espaço Schengen inteiro.

Isso significa que uma pessoa que permaneceu 60 dias na França e depois viajou para a Itália não recebe mais 90 dias na Itália. Ela terá, em princípio, apenas 30 dias restantes dentro da mesma janela de 180 dias.

A regra abrange, entre outros destinos:

  • Malta;
  • França;
  • Itália;
  • Espanha;
  • Alemanha;
  • Suíça.

Alguns países podem exigir procedimentos locais, documentos adicionais ou comunicação de presença, mesmo quando não há necessidade de visto prévio.

Para permanências superiores a 90 dias, normalmente será necessário solicitar o visto nacional ou a autorização correspondente ao país do curso.

Fontes oficiais: política de vistos da União Europeia, calculadora oficial de permanência no Schengen, vistos para a Itália, vistos para a França e regras da Suíça.

Atenção ao ETIAS

O ETIAS será uma autorização eletrônica para viajantes que atualmente entram no Espaço Schengen sem visto.

ETIAS não é visto. Quando estiver oficialmente em operação, deverá ser solicitado antes do embarque pelas pessoas abrangidas pela regra.

Como o cronograma europeu já passou por adiamentos, a Beeducation recomenda verificar a situação oficial antes de cada viagem, sem confiar em datas divulgadas em posts antigos ou redes sociais.

Fonte oficial: Comissão Europeia — ETIAS.

Canadá: curso de até seis meses sem study permit

No Canadá, um curso ou programa com duração de até seis meses pode ser realizado sem study permit, desde que todo o programa seja concluído dentro do período autorizado de permanência.

Isso não significa viajar sem documentação migratória.

A pessoa continuará precisando de:

  • visto de visitante; ou
  • eTA, quando atender aos critérios oficiais para essa autorização.

Nem toda pessoa com passaporte brasileiro pode solicitar apenas a eTA. A elegibilidade depende de condições estabelecidas pelo governo canadense, como histórico de visto canadense ou posse de determinado visto norte-americano válido.

Para cursos superiores a seis meses, o study permit normalmente é obrigatório.

Fontes oficiais: estudo por até seis meses e documentos para visitar o Canadá.

Austrália: é possível estudar até três meses com Visitor Visa

A Austrália permite estudar ou realizar treinamento por até três meses com determinadas categorias de Visitor Visa.

Brasileiras e brasileiros, contudo, precisam obter um visto antes da viagem. Portanto, a Austrália não deve aparecer em uma lista de “países sem visto”. O correto é dizer que um curso curto pode ser realizado sem Student Visa, utilizando um visto de visitante adequado.

Se a principal finalidade da viagem for estudar por mais de três meses, a orientação oficial é solicitar o Student Visa.

Fonte oficial: Visitor Visa — Tourist Stream.

Nova Zelândia: curso de até três meses como visitante

Pessoas de países incluídos no programa de dispensa de visto da Nova Zelândia podem estudar por até três meses como visitantes.

O Brasil está entre os países abrangidos pelo visa waiver, mas a passageira ou o passageiro deve solicitar uma NZeTA — New Zealand Electronic Travel Authority antes de viajar.

A autorização de entrada e o período de permanência são confirmados pela imigração. Para estudar por mais de três meses, normalmente será necessário solicitar um visto de estudante.

Fontes oficiais: países participantes do visa waiver, estudo como visitante e NZeTA.

Estados Unidos: curso curto não significa visto de turista

Este é um dos pontos mais importantes desta atualização.

O governo dos Estados Unidos informa que o visto de visitante B permite apenas cursos recreativos, curtos e que não concedam créditos acadêmicos. O próprio governo oferece como exemplo uma aula de culinária de dois dias realizada durante as férias.

Um curso regular de inglês não se transforma em atividade turística apenas porque dura menos de três meses.

Quando a escola e o programa exigem condição de estudante, será necessário:

  1. matricular-se em uma instituição autorizada;
  2. receber o formulário I-20;
  3. pagar a taxa SEVIS;
  4. solicitar o visto F-1.

A duração, sozinha, não determina o visto. A estrutura e a finalidade do curso também importam.

Fontes oficiais: Student Visa — Departamento de Estado e Visitor Visa.

E os países da América do Sul?

Brasileiras e brasileiros têm facilidades de entrada e residência em países associados ao Mercosul, mas é importante separar uma visita curta de uma mudança com finalidade de estudo.

Argentina, Chile e Uruguai permitem a entrada de brasileiras e brasileiros sem o processo consular exigido por muitos outros destinos. Para estudos longos, matrícula regular ou residência no país, poderão ser necessários registros ou permissões migratórias específicas.

No Chile, por exemplo, a Permanencia Transitoria permite estadia de até 90 dias para quem não pretende se estabelecer. Para residir no país com a finalidade de estudar, existe uma categoria própria de residência temporária para estudantes.

No Uruguai, brasileiras e brasileiros podem solicitar residência temporária Mercosul por até dois anos, prorrogável.

Fontes oficiais: Permanencia Transitoria no Chile, residência para estudantes no Chile e residência temporária Mercosul no Uruguai.

China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia exigem mais atenção

As regras dos destinos asiáticos não devem ser resumidas apenas pela frase “até 90 dias sem visto”.

China

A China mantém uma política temporária de dispensa de visto para brasileiras e brasileiros em determinadas finalidades e por período limitado. Entretanto, “estudo” não deve ser presumido como automaticamente abrangido.

Para cursos, intercâmbios acadêmicos ou permanências incompatíveis com as finalidades da dispensa, pode ser necessário solicitar o visto apropriado.

Fonte oficial: Ministério das Relações Exteriores da China — perguntas sobre entrada sem visto.

Japão

O Japão diferencia visitas de curta duração de permanências cuja finalidade principal é estudar. Cursos formais ou longos podem exigir visto de estudante e documentação emitida pela instituição japonesa.

Por isso, o Japão não deve ser incluído genericamente em uma lista de “intercâmbio sem visto” sem a análise do curso escolhido.

Fonte oficial: Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão — vistos.

Coreia do Sul

A possibilidade de entrada sem visto não elimina eventuais exigências de autorização eletrônica nem significa que todo curso possa ser realizado como visitante. Programas regulares e cursos mais longos podem exigir visto de estudante.

A categoria deve ser confirmada conforme a escola, a duração e a carga horária.

Tailândia

O Thailand Digital Arrival Card — TDAC é obrigatório para pessoas estrangeiras que entram no país, mas não é visto e não substitui uma autorização migratória.

O formulário deve ser enviado dentro dos três dias anteriores à chegada, incluindo o próprio dia da chegada.

Para estudar, é necessário verificar se o programa pode ser realizado na condição de entrada prevista ou se exige visto educacional.

Fonte oficial: Thailand Digital Arrival Card.

Não precisar de visto de estudante não significa entrada garantida

Mesmo quando a solicitação prévia de visto de estudante não é exigida, a imigração pode pedir:

  • passaporte válido;
  • carta de matrícula;
  • comprovante de pagamento do curso;
  • endereço da acomodação;
  • passagem de volta ou de continuação da viagem;
  • recursos financeiros compatíveis com a permanência;
  • seguro-viagem;
  • autorização eletrônica;
  • explicação coerente sobre o objetivo e a duração da viagem.

A decisão final sobre a entrada é sempre da autoridade migratória.

Posso trabalhar durante um intercâmbio sem visto de estudante?

Em regra, não.

A permissão para entrar como visitante ou realizar um curso curto não concede automaticamente autorização para trabalhar. Trabalho remunerado, estágio e voluntariado podem ter regras migratórias próprias.

Se o objetivo for estudar e trabalhar, a escolha do país e do programa deve considerar desde o início qual permissão migratória oferece esse direito.

Então, qual é o destino mais simples?

Isso depende de quatro fatores:

  1. duração do curso;
  2. nacionalidade e histórico migratório;
  3. tipo e carga horária do programa;
  4. intenção de estudar apenas ou também trabalhar.

O Reino Unido costuma permitir uma permanência maior para cursos curtos, enquanto Irlanda e Espaço Schengen trabalham normalmente com o limite de 90 dias. Canadá aceita cursos de até seis meses sem study permit, mas exige documento de entrada. Austrália e Nova Zelândia permitem estudos curtos como visitante, cada uma com suas próprias exigências.

Portanto, “não precisar de visto de estudante” pode simplificar o planejamento, mas não elimina a parte migratória.

Planeje seu intercâmbio com a documentação correta

Escolher um curso sem entender a regra de entrada pode gerar perda de passagem, recusa no embarque ou problemas na imigração.

A Beeducation analisa o destino, a duração do programa, a escola e o perfil de cada intercambista antes de orientar sobre a documentação necessária.

Fale com a equipe da Beeducation e encontre um intercâmbio compatível com seu tempo, seu investimento e sua realidade migratória.

Saiba mais:

Visto de estudante na Austrália : Prazo médio de processamento, 50 dias

Visto de turismo australiano: Aplicação online

Visto de estudante neozelândes: Prazo médio 50 dias

Visto de estudante dos Estados Unidos:  Prazo médio de processamento é 50 dias

Visto de estudante para Canadá: Prazo médio de processamento é 6 meses

Visto de turismo Canadá: Prazo médio maior que 90 dias

Visto de estudante do Reino Unido: Prazo médio de processamento é 60 dias.

Visto de estudante para Espanha: Prazo de processamento é 90 dias.

Visto de estudante para África do Sul: Prazo de processamento é 60 dias

 

Atenção: Informações de agosto de 2026. Toda e qualquer informação pode mudar sem aviso prévio.

 

 

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