Viajar de avião é parte da rotina de quem estuda, trabalha ou vive experiências no exterior. Mas em voos longos existe um risco pouco falado e potencialmente grave: a trombose associada à viagem, também conhecida como Síndrome do Viajante.
O que nos motivou a escrever sobre a Síndrome do Viajante foi uma experiência muito triste vivida por uma parceira da Beeducation. Ela mora na Europa e veio ao Brasil para visitar a família no interior de Minas Gerais. No entanto, a viagem não terminou como planejado.
Logo após chegar ao Brasil, ainda em seu primeiro ponto de chegada, precisou de atendimento médico. Durante o voo de Lisboa para São Paulo, ela dormiu praticamente o tempo todo. Não se levantou, não caminhou pelo corredor e acabou ficando muitas horas sem ativar a circulação das pernas.
Infelizmente, desenvolveu um quadro sério de trombose.
Felizmente, tudo terminou bem. Após o diagnóstico e o tratamento adequado, ela se recuperou e já voltou às suas atividades normais. Ainda assim, essa experiência serviu como um alerta importante sobre algo que muitas pessoas desconhecem quando viajam em voos longos.
A chamada Síndrome do Viajante acontece quando se formam coágulos sanguíneos, geralmente nas pernas, devido a uma combinação de fatores típicos do voo. Quando não identificada a tempo, pode evoluir para trombose venosa profunda e, em casos mais graves, para embolia pulmonar.
Entender o que causa a trombose em avião e saber como preveni-la é uma informação essencial para quem pretende fazer uma viagem longa com segurança.
Ela ocorre quando coágulos de sangue se formam nas veias profundas das pernas, geralmente por causa da imobilidade prolongada. Quando uma pessoa permanece sentada por várias horas sem movimentar as pernas, o fluxo sanguíneo diminui, o que pode favorecer a formação desses coágulos.
Esse fenômeno ficou conhecido como “síndrome do viajante” porque foi observado com maior frequência em pessoas que fazem viagens de longa duração, principalmente em aviões. No entanto, também pode acontecer em viagens longas de carro, ônibus ou trem.
O maior risco está na possibilidade de que esse coágulo se desprenda da perna e viaje pela corrente sanguínea até os pulmões, causando uma embolia pulmonar, uma condição grave que exige atendimento médico imediato.
Embora a síndrome do viajante seja relativamente rara, o risco aumenta em voos superiores a quatro horas, especialmente quando existem outros fatores associados, como desidratação, idade avançada, obesidade, uso de hormônios, gravidez ou histórico prévio de trombose.
Por isso, compreender o que é a síndrome do viajante e adotar medidas simples de prevenção durante a viagem é essencial para manter a circulação ativa e reduzir significativamente os riscos.
O que causa trombose em voos longos
Durante um voo, o corpo é exposto a condições que favorecem a formação de coágulos.
Imobilidade prolongada
Ficar sentado por muitas horas reduz o fluxo sanguíneo nas pernas. O sangue circula mais lentamente e pode se acumular nas veias profundas, facilitando a coagulação.
Baixa oxigenação
A pressão da cabine é menor do que ao nível do mar. Isso reduz levemente a oxigenação do sangue e pode estimular a liberação de substâncias pró coagulantes.
Ar seco da cabine
O ar dentro do avião é muito seco. Sem hidratação adequada, o corpo perde líquidos e o sangue fica mais espesso, aumentando o risco de trombose.
Fatores de risco individuais
Algumas pessoas têm maior predisposição, como
Obesidade
Histórico familiar de trombose
Câncer
Gestação e pós parto
Uso de anticoncepcionais ou terapias hormonais
Idade mais avançada
Tabagismo
Cirurgias recentes ou imobilização prévia
A presença de um ou mais desses fatores não impede a viagem, mas exige atenção redobrada.
Sintomas de trombose durante ou após a viagem
A trombose pode ser silenciosa, mas alguns sinais merecem atenção imediata, especialmente nos dias após o voo.
Dor ou sensação de peso na panturrilha
Inchaço em uma perna apenas
Vermelhidão ou aumento de temperatura local
Endurecimento ou sensibilidade ao toque
Em casos mais graves, quando há embolia pulmonar, podem surgir falta de ar, dor no peito e tontura. Esses sintomas são emergência médica.
Como prevenir trombose em voos longos
A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada com medidas simples.
Movimente-se sempre que possível
Levante e caminhe pelo corredor a cada uma ou duas horas
Enquanto estiver sentado, faça movimentos circulares com os pés
Flexione e estenda os joelhos e tornozelos regularmente
Hidrate-se bem
Beba água com frequência ao longo do voo
Evite álcool, pois contribui para a desidratação
Use roupas confortáveis
Prefira roupas folgadas
Evite peças que apertem coxas, joelhos ou panturrilhas
Considere meias de compressão
Quando indicadas por um médico, ajudam a melhorar o retorno venoso e reduzir o inchaço
Escolha o assento com estratégia
Assentos no corredor facilitam levantar e caminhar
Evite ficar longos períodos sem se mexer
Evite calmantes e sedativos
Eles aumentam o tempo de imobilidade profunda durante o sono e reduzem os movimentos espontâneos
Quando procurar um médico
Procure orientação médica antes da viagem se você:
- Já teve trombose ou embolia pulmonar
- Possui múltiplos fatores de risco
- Passou por cirurgia recente
- Está grávida ou em uso de hormônios
Após a viagem, procure atendimento imediatamente se notar dor, inchaço, vermelhidão ou calor em uma das pernas.
É seguro voar com trombose diagnosticada
Voar com trombose ativa pode ser perigoso. Nesses casos, a viagem só deve acontecer com avaliação médica. O profissional pode indicar anticoagulantes, adiar o voo ou até transporte especializado, dependendo da gravidade.
Cada caso é único e não deve ser decidido sem acompanhamento médico.
Viajar com informação também é cuidado
Voos longos fazem parte de experiências transformadoras, mas a saúde precisa viajar junto. A trombose em avião é rara, porém real, e conhecer os riscos permite prevenir, observar sinais e agir rapidamente quando necessário.
Cuidar do corpo antes, durante e depois do voo é parte essencial de uma viagem segura.

