24/06/2025 – Por Vivi Lac

A morte da brasileira Juliana na Indonésia foi um baque. Ela era uma mulher sonhadora, curiosa e preparada. Viajou com consciência. Contratou uma equipe local para acompanhá-la, buscou proteção, tomou os cuidados que muitas de nós, mulheres viajantes, aprendemos a tomar. E mesmo assim, sua vida foi brutalmente interrompida.

Isso nos obriga a enxergar além do imaginário turístico que domina as redes sociais.

Entre abril e maio deste ano, estive em alguns lugares na Indonésia. Foi intenso, sim. Belíssimo, às vezes nem tanto. Visitar a Indonésia é entrar num cartão-postal que ganhou vida: templos milenares, praias que parecem desenhadas à mão, e um povo que te recebe com um sorriso sincero.

Mas, à medida que o encantamento se instala, vêm os choques: o trânsito caótico que parece nunca dar trégua, a poluição em santuários naturais, o excesso de turismo em lugares que perderam parte da autenticidade. A sensação é de estar em um destino que encanta e, ao mesmo tempo, cobra um alto preço de quem se aventura sem conhecer a realidade por trás da paisagem.

A Indonésia não é um país sem leis. Possui dispositivos legais sérios, inclusive de proteção às mulheres e contra crimes graves. Mas há um abismo entre o que está na legislação e o que se vive na prática, especialmente, em regiões turísticas, onde a fiscalização é falha, o improviso é regra e o risco é normalizado.

Motos com cinco pessoas, barcos sem colete, transporte informal, ausência de sinalização básica. Esse é o pano de fundo de muitos paraísos tropicais vendidos como “espirituais e autênticos”, quando, na verdade, escondem fragilidades estruturais profundas.

Juliana não foi imprudente.

Ela não errou.

Ela fez tudo certo.

E é justamente por isso que sua história precisa ser contada com seriedade e responsabilidade.

Mas o ambiente em que ela estava não ofereceu o suporte necessário para protegê-la. E isso não pode ser ignorado. Não se trata de demonizar um país, trata-se de reconhecer que a liberdade de viajar também exige estrutura, responsabilidade e preparo, especialmente de quem recebe.

Que a memória da Juliana nos convoque à verdade e que sua coragem inspire mudanças necessárias. E que nenhuma outra mulher pague tão caro por ter confiado demais num cartão-postal.

Nossos profundos sentimentos à família, amigas e amigos.

Com carinho, Beeducation Intercâmbio.

 

 

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